Em matéria publicada no portal CIO, Thornton A. May* fala sobre sustentabilidade profissional. O diretor executivo da IT Leadership Academy diz que “O que você fez e o que você aprendeu não são decisivos na sua carreira - o que você pode fazer e o valor do que você pode agregar é que pode impulsioná-lo ou não”.

Sustentabilidade, ou a criação de prosperidade econômica sem provocar estragos ecológicos, está muito na mente dos executivos de empresas de grandes marcas como as americanas Coca-Cola e UPS.

A sustentabilidade da carreira, ou o desenvolvimento consistente de sua marca pessoal, mensurável, com equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal, é top of mind para os milhões de profissionais de TI hoje em dia. O mercado de trabalho de TI está nos estágios iniciais dessa mudança fundamental.

Pesquisa recém realizada pela IT Leadership Academy traça um quadro claro para a compreensão do tipo certo de líder para o tipo certo de tecnologia. Mudanças, em grande parte cosméticas, no seu currículo, acrescentando uma certificação ou duas, ou a reformulação dos objetivos pessoais que você lista na sua carta de apresentação, já não são suficientes para posicioná-lo com sucesso nesse novo mundo profissional. Não estamos em tempo de ajustes, mas, em um momento de transformação.

O trabalho de TI necessita ser repensado. Em uma série de workshops internacionais, submetemos três perguntas a um grande e diverso grupo de executivos seniores de TI: Se estão na profissão que sonharam quando eram crianças? Se eles poderiam imaginar TI como sendo a profissão dos sonhos de uma criança? E qual foi a maior surpresa ou a melhor memória que têm dos primeiros 90 dias em seu trabalho atual?

Como esperado, ninguém tinha sonhado em se tornar um CIO quando criança. E todo mundo estava compreensivelmente cético sobre um líder de TI conseguir substituir um cowboy, uma bailarina, um astronauta ou um atleta como aspiração de carreira de uma criança. Mas o que nos surpreendeu foi que nenhum dos executivos de TI conseguia lembrar se seus 90 primeiros dias no trabalho atual foram prazerosos.

Longe vão os dias em que ser um encanador, um mecânico, um gerente de projeto, uma babá digital para uma equipe de gestão sênior analfabeta em tecnologia ou um faxineiro que limpa a bagunça de dados era o suficiente. Hoje, para prosperar, os líderes de TI devem ter três características fundamentais, que formam o que chamamos de novo ERP: devem ser capazes de Educar ( e se auto-educar),  Relacionar-se (conectando-se a líderes de opinião) e Frutificar (ou seja, agregar valor).

A pesquisa também procurou saber como os CIOs gastam seu tempo. Segundo os resultados,  apenas 5% do tempo de um CIO é gasto com o desenvolvimento de novas habilidades de gestão de TI. Pouquíssimos têm o hábito de financiar o desenvolvimento de suas carreiras. O caminho mais rápido e mais acessível para a auto-educação é relacionar-se com líderes que estão movendo rapidamente a curva de aprendizagem de tecnologias emergentes.

No mundo profissional, o que você fez e o que você aprendeu não são decisivos na sua carreira - o que você pode fazer e  o valor do que você pode agregar é que pode impunsioná-lo ou não. Você precisa ser percebido como um "artista de valor." Seth Godin, autor de Poke the Box, relata a história de Marcel Duchamp, que maliciosamente apresentou um urinol para uma exposição de arte de 1917. Duchamp era um artista e não um encanador.

O futuro pertence aos profissionais de TI que consigam ser cientistas e artistas ao mesmo tempo. O tipo certo de líder de TI é um empreendedor, um inovador, um cientista de dados, um agente de mudança, um educador e um diplomata.
 
(*) Thornton A. May é autor do livro "The New Know: Innovation Powered by Analytics" e diretor executivo da IT Leadership Academy no Florida State College, em Jacksonville.

Fonte: Portal CIO (cio.uol.com.br) acesso em 25 de janeiro de 2012.